Sábado, 27 de Setembro de 2008

Cada vez que o nosso primeiro-ministro abre a boca para se vangloriar a Educação vem à baila. Torna publica, com toda a satisfação, a fortuna que gastou e pretende gastar ainda neste ramo, da última vez que o fez falou em 400 milhões de euros para o Plano Tecnológico. É, também, o forte do nosso actual governo a apresentação de planos de pseudo-promoção de áreas como a tecnologia, a leitura e a matemática. Fartaram-se de se gabar de bons resultados no último exame nacional de matemática, afirmando firmemente que estes foram fruto do enorme sucesso do plano nacional da matemática, a verdade é que esse mesmo exame foi ridiculamente fácil, dando azo a um número recorde de aprovados.

Para quem está por fora do sistema educativo e não presta atenção às questões internas, estas sim são realmente importantes, concebe uma boa imagem do governo neste plano, um governo preocupado com o futuro das gerações, onde a educação está em primeiro plano. Mas fiquem a saber os mais distraídos que a Educação é dos sectores em pior estado.

Em primeiro lugar é preciso falar dos exames nacionais, estes que para mim não representam uma avaliação justa. Lembre-se que o ano passado o exame de Fisica e Química teve problemas e teve que ser anulada uma questão, este ano o exame de português continham também perguntas de carácter duvidoso, inclusivé escolhas múltipla com várias soluções possíveis. Avanços e recuos nos programas, nomeadamente de Português onde os professores tiveram problemas em saber o que ensinar relativamente a novas regras gramaticais. Os problemas internos que o sistema de avaliação de professores despertou instalou um clima insustentável nos executivos e nas salas de aula, é claramente notória um desiquilíbrio e um mau clima entre os docentes. Os programas e a organização carecem de alterações profundas. Os casos recentes de falhas nas candidaturas ao ensino superior, primeiro no curso de Desporto onde os alunos que foram aprovados nos pré-requesitos foram excluídos por engano, e agora com o cálculo deficiente da nota de candidatura de alunos do ensino secundário privado, demonstram que o Ministério da Educação anda a preocupar-se com tudo menos com o que é realmente importante e pedagógico. Temos ainda o fenómeno dos últimos tempos que é o Magalhães que a meu ver é pedagógicamente errado, sobretudo tendo em conta a idade a quem se destina que necessitam de tudo menos de passar horas e horas em frente a um computador, que geração futura andaremos a preparar? Um geração não apta para lidar com as tecnologias mas sim totalmente dependente delas!



Rui Manuel Martins às 13:06
Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

A rotatividade PS, PSD começa a cansar toda gente. A réstia de esperança que cada voto significa a cada mandato resulta sempre numa decepção profunda onde todas as promessas e juras são quebradas. O poder de compra diminui a cada ano e cada vez mais nos afastamos da Europa. A crise e fome começam a ser um panorama muito provável neste país que já esteve mais longe de ser um “país de terceiro mundo”. Um partido que se diz socialista apresenta aos poucos e disfarçadamente componentes ditatoriais no seu modus operandi político.
Os partidos de oposição começaram já com a propaganda para as próximas eleições e as dúvidas começam a nascer. Será que existe uma oposição minimamente forte capaz de governar um país e levá-lo para a frente, ou o voto em branco começa a ser a melhor opção?



Rui Manuel Martins às 01:14
Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Este é o título na edição de hoje, 3.ª Feira, do Diário de Notícias. Dá conta duma afirmação da Ministra da Educação. E mais acrescenta a ministra que nós não somos mais nem menos que os cidadãos dos países desenvolvidos com os quais nos comparamos. Temos inteligência, bons professores e um parque escolar em clara melhoria, portanto a meta dos 100 % não é uma utopia, é uma meta para cumprir.
Apetece dizer que estamos perante uma pessoa sonhadora. E a ser verdade que “o sonho comanda a vida”, como dizia o saudoso poeta, esta meta da Ministra da Educação vai, com toda a certeza, tornar-se realidade. Faltará, talvez, explicar, de que meios se vai socorrer a nossa Administração Educativa para produzir tais resultados.
A verdade é que não basta sermos inteligentes – é evidente que não somos nenhuma raça de segunda categoria, ou estará outra vez em cena a ideia peregrina da superioridade da raça ariana sobre todas as outras?
Quanto a termos bons professores, vinda de quem vem a afirmação é para desconfiar, depois de esta mesma pessoa ter rebaixado, humilhado e desvalorizado socialmente a classe docente como mais ninguém o tinha feito. Dizer genericamente que os professores são bons soa agora a bajulação ou condescendência piedosa. Os professores não são especialmente bons nem especialmente maus, são como os outros profissionais, pessoas normais com níveis diferentes de empenho e competência. Mas são pessoas, com direito a serem tratadas com respeito e dignidade, o que não me parece ter acontecido num passado muito próximo. Esse respeito e dignidade exigem agora que os governantes se deixem de paternalismos hipócritas.
O parque escolar não mudou assim tanto, nem mesmo com a inauguração de dois ou três centros escolares e o anúncio pomposo de várias dezenas de outros já prontos, mas apenas no papel. O parque escolar vai mudando e melhorando a pouco e pouco, mas nada que possa relacionar esta variável com a melhoria milagrosa dos resultados escolares.
Mas mesmo que os professores fossem todos bons e o parque escolar oferecesse as condições ideais para o processo de ensino-aprendizagem, seria isso suficiente para atingirmos os tais 100 % de sucesso no final da escolaridade obrigatória? Haverá alguém com um mínimo de honestidade intelectual que acredite nisso?
Que dizer da política educativa, do excesso de reformas que se substituem umas às outras sem mesmo terem tempo para provarem as suas virtudes, das ambiguidades do discurso oficial que deixam os agentes de ensino e os cidadãos em geral perplexos, sem que se perceba, com um mínimo de clareza, o que é que a Administração pretende exactamente da escola e dos seus agentes?
Que dizer da ignorância ostensiva e intencional evidenciada por quem nos governa relativamente a algumas verdades básicas deste ofício de ensinar e aprender? Por muito que isso custe aos amantes dos números e das estatísticas, por muito que se insista em governar o Sistema Educativo recorrendo a uma lógica e a métodos puramente empresariais, não se pode estabelecer, de modo taxativo, uma relação directa e imediata de causa e efeito entre o acto de ensinar e o acto de aprender, e concluir que se os alunos não aprendem é porque os professores não ensinam. Do mesmo modo, não se pode dizer que, uma vez reunido um conjunto determinado de condições, a aprendizagem acontecerá infalivelmente para todos os alunos. Gostemos ou não da ideia, a Escola é o espaço em que a figura da pessoa humana está no centro de tudo e tudo condiciona. Ora, são tantos e tão variados os elementos intrínsecos e extrínsecos que moldam cada ser humano que é impossível prever e assegurar resultados duma acção limitada no tempo e levada a cabo por uma parte tão ínfima desses factores. Por isso, só por ignorância ou má fé se pode esperar ou proclamar resultados imediatos de medidas acabadas de tomar ou reformas agora mesmo postas no terreno.
Podemos ter uma Escola perfeita, se é que isso existe, mas os tais 100 % de sucesso continuarão a ser uma miragem porque os problemas que, dum modo mais significativo, criam constrangimentos à aprendizagem duma boa parte dos alunos têm a sua origem fora da Escola, e não está nas suas mãos resolvê-los. Talvez fosse bom começar por diminuir as assimetrias, reduzir o desemprego, atenuar o fosso entre pobres e ricos, melhorar os serviços públicos de saúde, banir a exploração vergonhosa do esforço alheio, garantir a todos a qualidade de vida e a dignidade que todos pagam com o seu trabalho diário. Porque enquanto houver um número significativo de portugueses preocupado com as questões básicas da sobrevivência, enquanto houver pobres a quem falta o pão, enquanto as pessoas viverem na incerteza angustiante de vínculos laborais cada vez mais precários, enquanto subsistirem bairros de lata, guetos e discriminação racial, em suma, enquanto os sucessivos governos deste país teimarem em virar costas às verdadeiras políticas sociais, não há Escola capaz de carregar nos ombros o peso dum país que ignora os seus próprios filhos.
Que lugar pode ter o conhecimento, ainda que eminentemente prático, a cultura, os livros, as ciências, mesmo que experimentais, as línguas, as modernas tecnologias da informação e comunicação, o encanto dos portáteis e dos quadros interactivos, e o mais que a escola costuma oferecer, quando se tem fome e frio, quando os pais estão desempregados e a penúria deteriora as relações humanas, quando o bairro em que se vive é um campo de batalha?
Noutro plano, um pouco superior, que equilíbrio emocional podem ter as crianças que se levantam de noite e só de noite regressam a casa, passando o dia fechadas na escola e num qualquer ATL, sem espaço nem tempo para brincar, gastar energias e conviver livremente com as outras crianças da sua idade, crianças cujos pais estão demasiado ocupados com a profissão e o trabalho doméstico, este sempre excessivo para o pouco tempo de que dispõem, crianças abandonadas ao conforto ilusório do sofá, em frente da televisão, da consola de jogos ou do computador? Que consequências tem tudo isto no comportamento dos alunos? É estranho como ainda há tanta gente que estranha os comportamentos agressivos, a indisciplina, a falta de concentração, o desinteresse pelas aprendizagens.
O sonho, que não passa dum logro eleitoralista, só é possível com manobras engenhosas que contornam os verdadeiros problemas, ignorando-os, para produzir um sucesso artificial e perigosamente enganador que nos impede de olhar a realidade de forma esclarecida e rigorosa e de assumir com honestidade o caminho que, de facto, é preciso percorrer, tudo em nome da ilusão de resultados imediatos capazes de gerar dividendos políticos nas eleições que se aproximam.
 



António Martins às 01:25
Sábado, 20 de Setembro de 2008

Questionado sobre se a adaptabilidade das empresas é compatível com a conciliação da vida familiar, Vieira da Silva começou por reconhecer que «não é fácil», mas considerou que «a forma mais dura de conciliar a vida familiar e profissional é a impossibilidade de existir vida profissional». «Uma economia que não seja capaz de criar emprego nunca conseguirá conciliar a vida profissional com a vida familiar», defendeu o ministro (in Jornal Sol)
Há sempre um gato escondido com o rabo de fora. Por muito cuidado que os nossos governantes ponham em todas as suas declarações, duma forma ou doutra acabam quase sempre por desnudar a verdadeira natureza das ideias e convicções que norteiam os seus actos e os objectivos, não tão ocultos como eles supõem, que determinam as suas decisões políticas. É o caso do ministro Vieira da Silva nestas declara-ções a propósito do novo Código do Trabalho.
Na verdade, Vieira da Silva revela-nos aqui umas quantas ideias admiravelmente elucidativas da orienta-ção ideológica, política, económica e social deste governo. Destaco uma delas:
1. É importante conciliar a vida familiar com a vida profissional;
2. Esta conciliação é impossível porque ao cuidarmos duma descuidamos a outra;
3. Perante esta impossibilidade teremos de abdicar da vida familiar, sob pena de perdermos a vida profissional;
4. Se abdicarmos da vida familiar talvez venhamos a ter uma economia capaz de criar emprego;
5. Numa economia capaz de criar emprego já será possível conciliar a vida familiar com a vida pro-fissional;
6. Contudo, no momento em que quisermos conciliar a vida familiar com a vida profissional deixa-remos de ter uma economia capaz de criar emprego;
7. E uma economia que não seja capaz de criar emprego nunca conseguirá conciliar a vida profis-sional com a vida familiar.
8. … … … … … …
O esforço que um ministro faz para disfarçar as mentiras de verdades. Provavelmente é por isso que a vida dos governantes é tão custosa.
Melhor fora que as energias desperdiçadas nestes jogos de verdades e mentiras, ao serviço dos eterna-mente insatisfeitos para quem o dinheiro e o poder nunca são suficientes, fossem gastas em tarefas bem mais construtivas de desenvolvimento sustentado dum País que todos pudessem reconhecer como seu.



António Martins às 18:08

Mais um caso, como muitos outros, que ilustra a verdadeira natureza da actividade política. Não se trata de trabalhar em prol do bom governo do país; não diz respeito à capacidade para tomar decisões acerta-das; não tem nada a ver com uma ideia de sociedade, de economia, de cultura, de educação, de relação com as restantes nações, e de agir em coerência com essa ideia; não é sobre competência ou falta dela. A actividade política não passa duma mera questão de poder que se concretiza num esforço contínuo e desgastante para o conservar ou para o conquistar. É a versão moderna das intrigas da corte, dos golpes palacianos ou, nos casos extremos, dos campos de batalha onde se digladiavam os pretendentes ao trono. É um jogo sem regras, do tipo “vale tudo menos tirar olhos”, em que a derrota espreita por detrás do deslize mais insignificante. Entrar neste jogo implica fazer uma espécie de pacto com o diabo cujos termos se podem resumir da seguinte forma: o poder em troca dos princípios éticos e morais, dos escrúpulos da consciência, da compaixão ou da verdade.
Para os que lutam pelo poder tudo serve como arma de arremesso, desde que contribua para a fragiliza-ção dos seus adversários. Por sua vez, os que detêm o poder sabem que não podem pôr-se a jeito - a mínima fraqueza, ainda que inocente, involuntária ou apenas aparente, poderá custar-lhes a posição dominante que ocupam.
Foi o que aconteceu a Manuel Pinho com este caso agora tornado público - pôs-se a jeito, e os seus adversários não enjeitaram a oportunidade que lhes foi oferecida.
Concluindo: quando aceitou ser ministro Manuel Pinho conhecia, ou devia conhecer, as regras do jogo; não passando dum mero episódio de guerra político, este caso não tem nada a ver com a qualidade do ministro e do governo a que ele pertence, apenas evidencia a desonestidade de que é feita a luta pelo poder; até parece que não há, na actuação de Manuel Pinho como ministro, armas de arremesso suficien-tes para fragilizar a sua posi ção política.
No meio disto tudo fica esquecido um país há tanto tempo adiado.



António Martins às 01:24
Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

A notícia consumou-se em meia dúzia de palavras deslizando em rodapé no LCD duma área de serviço: "morreu Richard Wright, teclista dos Pink Floyd, aos 65 anos de idade, vítima de doença prolon-gada". Foi assim que tomei conhecimento do sucedido, na pausa duma longa viagem.
Não o conhecia pessoalmente, não era da minha família nem fazia parte do meu círculo de ami-gos. Do ponto de vista do senso comum esta morte não devia afectar-me mais do que todas as outras que diariamente ocupam os serviços noticiosos da comunicação social. Seria mais uma nesta série interminável de vidas que acabam, isoladamente ou em grupo, o mais delas de forma estupidamente desnecessária e facilmente evitável não fora a triste propensão da humanidade para se autodestruir, numa guerra fratrici-da travada impiedosamente em todos os campos do nosso quotidiano, às mãos de ladrões vulgares, de condutores inconscientes, de políticos fanáticos ou de empresários gananciosos.
Num primeiro instante incomodou-me a comoção que não pude evitar e a tristeza que não fui capaz de esconder ao ler a notícia. Senti-me ridiculamente lamechas e estupidamente imbuído daquela adoração fútil que os adolescentes alimentam em relação aos seus ídolos. Depois compreendi que a minha reacção nada tinha de ridícula, lamechas ou fútil. Apenas chorava a perda dum amigo de longa data, companheiro de todos os anos desde a minha juventude. É essa a magia dum verdadeiro artista - a sua arte, arte autêntica e não um mero produto de consumo condicionado a gostos e modas de circunstância numa lógica puramente mercantilista, essa arte nascida duma força criadora admiravelmente única, espa-lha-se pelo mundo e invade o quotidiano em que se desenrola a nossa vida cinzenta e tristonha para o enriquecer com o seu colorido, a sua emoção e a sua riqueza estética, cola-se indelevelmente aos momen-tos mais significativos do nosso percurso de vida e transporta-os pelo tempo fora como um baú de recor-dações onde vamos avivar a memória do que fomos na esperança de que o passado nos ajude a com-preender melhor o presente e a melhor preparar o futuro; assim, o desfrute duma obra de arte irá muito além da componente puramente estética para se transformar numa experiência única de emoção e afecto.
Corriam os longínquos anos 70. O 25 de Abril derrubara finalmente as barreiras deste país fecha-do e triste, abrindo-o ao mundo que, lá fora, há muito fervilhava num turbilhão de ideias que prometia revolucionar o modo de vida das pessoas. Tínhamos 18 anos e a vida estendia-se à nossa frente num tapete sem fim coberto de sonhos e promessas a realizar. Foi então que conheci os Pink Floyd. Reunimo-nos uma tarde em casa dum colega. Espalhámo-nos pelo chão e ali ficámos, em silêncio, a saborear a audição integral do álbum “The dark side of the moon”. No fim falámos da banda e do album, expressá-mos toda a nossa admiração por aqueles 4 músicos e repetimos a audição.
Recordo, ainda, outra cena um pouco semelhante a esta: um gira-discos a pilhas colocado no cimo da escadaria frontal da nossa escola arranhava um disco preto que não se cansava de girar sobre si mesmo, e nós ouvíamos, deslumbrados, aquele som novo e único do “Wish you were here”, alheios ao desconforto da pedra fria e dura dos degraus em que nos tínhamos instalado.
Eram assim aqueles tempos. Poucos de nós tinham acesso a um gira-discos, e os discos eram muito caros. Aproveitávamos, por isso, com avidez, as raras oportunidades que nos eram oferecidas.
Conheci muitas outras bandas mas, na minha modesta opinião, nenhuma conseguiu igualar a genialidade, a qualidade musical, o apurado sentido estético, o perfeccionismo, o sentido da arte como forma de comunicação presentes nos álbuns produzidos pelos Pink Floyd. Por isso que o seu nome, a sua música, a sua mensagem resistem ao desgaste do tempo e mantêm uma actualidade que encanta pais, filhos e avós como se fossem todos contemporâneos duma mesma época.
Músicos brilhantes, o seu mérito consistiu na rara capacidade demonstrada por todos e cada um deles para aceitar e pôr em prática a submissão dos talentos individuais ao interesse do projecto colectivo. Por isso que não é apropriado nem conforme a verdade fazer destaques individuais. Todos contribuíram para a obra que construíram juntos, todos foram igualmente importantes e determinantes na qualidade do que produziram em grupo: Roger Waters com a criatividade do seu génio e a expressividade da sua voz, Nick Mason com a sobriedade intencional e competente da sua bateria, David Gilmour com a sonoridade e o estilo único e inconfundível da sua guitarra, finalmente Richard Wright com a discrição dos seus teclados sem os quais a música dos Pink Floyd não seria a mesma. Na verdade ele era o cenário, o pano de fundo, a luz sobre os quais brilhava o génio dos seus companheiros.
Incluo-me no número dos que lamentaram a sua separação e alimentavam esperanças num hipotético regresso da banda aos concertos e à criação musical com a sua formação de sempre. Esse é mais um motivo de tristeza – a morte de Richard Wright torna esse sonho definitivamente impossível. Talvez seja melhor assim – tudo tem um tempo próprio que não se repete, e quando se tenta contrariar o rumo natural da história corre-se o risco de corromper o presente e denegrir o passado. Deixemos as coisas como estão – a memória do que foi o percurso destes 4 músicos ficará para sempre registada na galeria dos imortais e no coração dos que souberam apreciar a sua obra.
Anima-me a convicção de que um verdadeiro artista é sempre imortal – o seu corpo desfaz-se em pó na escuridão duma sepultura mas a sua obra permanecerá para sempre no imaginário dos que tiveram a felicidade de desfrutar da sua beleza.



António Martins às 23:04
Terça-feira, 02 de Setembro de 2008

Não escondo de ninguém que Agosto é o mês do ano que mais detesto. Definitivamente a confusão, a invasão de imigrantes e estrangeiros, o brilhozinho nos olhos dos nosso políticos e dos Senhores da Venda que olham para Agosto como o mês em que mais lucram no ano, a incontornável subida dos preços, o calor ofegante que nos deixa sem energia (felizmente este ano esse calor não chegou), o entupimento das estradas, os telejornais que não têm temas para desenvolver e desatam a disparatar com mexericos, os jornais desportivos que se entopem de especulações, os serviços que nunca mais desenvolvem porque a maior parte do pessoal está de férias, produtos esgotados, centros comerciais cheios, o Algarve inacessível à bolsa dos portugueses, tudo de férias, de barriga para o ar na costa do país a desforrarem-se de um ano miserável cheio de dívidas para pagar e filhos para educar. No fim do mês todos olham para os seus cofres e confirmam que voltou ao que era, que boa parte do dinheiro que juntaram durante o ano se evaporou em quinze ou oito dias, e que afinal nem foi assim nada de especial, mas para o ano, outra vez igual! Que iriam dizer os vizinhos se não fossemos de férias? Afinal até alugamos uma casa na Algarve! O tio rico do meu marido emprestou-nos a casa de férias que tem na Barra! Andámos o ano todo a comer "sola de sapato" para podermos ir para a Tunísia!
Cada um com os seus objectivos, para muitos Agosto é o auge do ano, aquele tempinho em que não têm horários nem rotina, nem roupa para lavar, nem refeições para preparar, nem exames, nem livros, nem máquinas ou chefes, apenas descanso...
 



Rui Manuel Martins às 16:36
Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

 Não aos partidos políticos
O termo e conceito Política nasceu na Antiga Grécia e vem da palavra Pólis que significa Cidade. Surgiu com a necessidade de controlar melhor os recursos humanos e materiais de uma cidade ou civilização.O objectivo da política, na sua forma mais pura e desprovida de interesses alheios, é apenas a governação de uma nação. Quem está à frente desta é alguém em quem os cidadãos dessa nação confiam para
gestão de tudo o que é público. A equipa que compõe o Governo tem de ter determinadas qualidades cognitivas e psicológias para conseguir aguentar a pressão de gerir um país com apenas um intuito, que é
proporcionar ou acompanhar o desenvolvimento, seja de carácter tecnológico, económico, social, cultural, mental ou físico, de um colectivo e de cada indivíduo que o compõe.
De forma a organizar a maneira como são eleitos os candidatos a "governadores" de um país foram criados os Partidos Políticos. O que acontece é que estes acabam por representar uma barreira entre a política e a sociedade.
1. Apenas os presidentes de partido se podem candidatar a Chefe de Governo e as eleições para os candidatos a presidente de partido são internas, ou seja, não permitem a participação dos eleitores. Isto
leva-nos a uma pseudo-democracia onde afinal a eleição do Chefe Maior não é tão pública quanto se suponha que fosse;
2. Para chegar a presidente de partido um deputado tem que seguir à risca as ideologias do partido em causa e jogar com interesses políticos que, na maioria das vezes, não vão ao encontro das
necessidades do país, o que leva a um desaparecimento político de mentes novas com ideais novas;
3. Um partido, como funciona como um Clube, tem uma história a preservar, ideologias a defender e orientações a seguir, com efeito, em certos casos, apresenta-se com um convervadorismo não saudável.
4. O actual sistema de eleições consituí apenas a nomeação, da parte dos cidadão, de um rimeiro-ministro, que só depois a ser eleito apresentará a equipa que o acompanhará durante o mandato, o que muitas
das vezes nem está de acordo com as orientações defendidas no programa eleitoral apresentado. Resultado, os cidadãos eleitores não sabem nunca aquilo que os espero ao elegerem um primeiro-ministro;
Tendo em conta os problemas apresentados, a solução seria que em todas as eleições políticas, como já acontece nas autárquicas, os candidatos passassem a ser apresentados como Listas independentes e formadas, propositadamente e únicamente, para um ano de eleições. Em vez de os eleitores escolherem um primeiro ministro elegiam uma equipa que, óbviamente, teria uma entidade máxima. Desta forma abriríamos espaço para novas políticas, ideologias e equipas melhores. Desta forma, teríamos sim, liberdade de escolha da parte cidadão.



Rui Manuel Martins às 01:13
O lado visível das reflexões suscitadas por esta relação simultaneamente inevitável, pensoa e profundamente gratificante do indivíduo que habita em cada um de nós com os seres que nos rodeiam e a natureza que todos partilhamos.
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